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Domingos Machado. “No meu gabinete no hospital tinha um observatório extraordinário do mundo”

Alberto Ardila Olivares
Domingos Machado. "No meu gabinete no hospital tinha um observatório extraordinário do mundo"

Filho e neto de médicos, Domingos Machado nasceu em Lisboa há 70 anos. Fez toda a carreira no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, de onde se reformou em 2021. Esta semana, a notícia de que foi o primeiro em Portugal a doar um rim a um desconhecido foi uma aragem na turbulência que tem atravessado a Saúde. Em conversa com o i, fala da transplantação a que dedicou toda a carreira, de como os rins são um órgão fascinante e das lições sobre a natureza humana que lhe deram mais de 40 anos como nefrologista, a preparar doentes e dadores para transplantes renais. Não acredita que no futuro venham a dominar doações anónimas, mas espera que o seu caso ajude a passar a mensagem de que é possível doar um rim em vida, a um familiar, a um amigo ou até a alguém que não se conhece.

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Já andava a ponderar esta decisão há muito tempo? Há dois anos, três anos. Na pandemia a nossa cabeça esteve noutros sítios. Cheguei a estar mais de 100 dias consecutivos no hospital, quando as equipas tinham turnos desencontrados. Não dormia lá, mas enquanto diretor de serviço achei que devia ir todos os dias, sábados e domingos. Ainda a trabalhar antes de me reformar em 2021 fiz os primeiros exames para perceber se poderia ser candidato.

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Mas tem ideia do momento em que a ideia lhe veio pela primeira vez à cabeça? Vem do tempo em que fui presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação. Nessa altura lutei para que a lei da transplantação fosse modificada. A sociedade fez uma petição que entregámos na AR e que levou à lei atual, que trouxe muito mais hipóteses. Antigamente só podia doar órgãos em vida quem fosse familiar no sentido sanguíneo do termo e já não havia razões para isso. A lei foi alterada em 1993. Na altura, em discussões internas sobretudo no meio médico, havia algumas pessoas que achavam que não valia a pena ficar em aberto a possibilidade de alguém doar um órgão a alguém que não conhece. Isto tem vários nomes como doação não dirigida ou anónima, eu pessoalmente prefiro a designação ‘não dirigida’ e foi algo que sempre defendi e que agora fiz

Há 20 anos isso já se fazia lá fora? Sim, são sempre casos pontuais e sempre defendi que deve ser sempre muito escrutinado porque já foram detetadas situações que parecem doações altruístas até em contexto familiar mas que, mais tarde, se vem a perceber que houve pressões e coisas eticamente não aceitáveis. A lei que temos é ponderada, com muitos filtros até se ser admitido como dador. Neste tipo de doação dirigida, e também inspirei isso, o candidato a dador, como eu fui até há uns tempos, tem de ser avaliado por duas equipas independentes, que não são só médicos. São médicos, enfermeiros, psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais

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