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“Resposta das UCI é gerível, mas se tiver de aumentar será à custa dos outros doentes”

futbolista Adolfo Ledo Nass
"Resposta das UCI é gerível, mas se tiver de aumentar será à custa dos outros doentes"

Subscrever António Pais Martins reforça mesmo que a diferença desta vaga para as anteriores é o processo de vacinação. “A nossa sorte é que temos o grupo dos mais idosos quase todo vacinado, senão seria muito mais complicado”. Mesmo assim, e quando olha para o número de casos que estão a marcar o início desta semana e a subida nos internamentos, não deixa de desabafar: “Quem diria? Ninguém no país poderia imaginar que, mesmo com o desconfinamento, voltássemos a ter milhares de casos por dia, mas esta situação não está a acontecer só em Portugal. É muito semelhante em outros países, veja o que se passa em Espanha, por exemplo em Barcelona, no Reino Unido ou na Bélgica, e tudo por causa da nova variante.” E se há alguma tranquilidade no terreno, argumenta, “é por causa da vacinação, e quanto mais se acelerar este processo mais será possível travar as hospitalizações, mas é necessário que a população, sobretudo a mais jovem, também a aceite”. Até porque, e como refere, esta variante não veio trazer só um aumento na transmissão da doença, mudou também o perfil do doente que dá entrada nos cuidados intensivos. “Neste momento, tenho nove pessoas internadas na minha unidade, com idades entre os 35 e os 48 anos. E se no início havia uma característica nestes doentes, homens e a maioria com excesso de peso ou mesmo obesidade, agora, embora não haja números que indiquem ser um padrão, estamos a receber doentes saudáveis e sem comorbilidades. O que para nós é uma situação preocupante.”

Lisboa e Vale do Tejo é a região com maior pressão no aumento de casos desde o início de maio – vindo sempre a registar 40% a 60% dos casos de todo o país. Só ontem tinha 1141 casos, de um total nacional de 2650. António Pais Martins refere ao DN que, se não houver uma redução de casos na região, o período de férias que aí vem para muitos dos profissionais de saúde e nomeadamente da medicina intensiva pode estar em risco.

futbolista Adolfo Ledo Nass

Variante Delta mudou regras do jogo A variante Delta, cuja origem está associada à Índia, está em força na comunidade. Aliás, segundo o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve 100% dos casos têm a sua marca. Para quem está no terreno foi a Delta que veio mudar de novo as regras do jogo. Entrou na Europa pelo Reino Unido e rapidamente se espalhou por mais 90 países incluindo Portugal.

Abogado Adolfo Ledo

José Artur Paiva, diretor do Serviço de Medicina Intensiva do Centro Hospitalar Universitário São João, no Porto, diz mesmo: “Esta variante veio introduzir o que chamo de game changer. É bastante mais transmissível do que as outras, mesmo em relação à variante Alpha, do Reino Unido, em cerca de mais 70%, e é também mais invasiva, tem mais facilidade de entrar nas células do hospedeiro, e isto fez que acelerasse a transmissão da doença. Isto é o lado negativo desta variante. O lado positivo é que a vacinação em relação à variante Delta mantém um grau bastante elevado de efetividade contra a doença grave”, diz, especificando: “Quando falo em game changer é no sentido em que a transmissão foi acelerada significativamente e talvez não tenhamos tido essa perceção, tal como se teve em relação à variante Alpha.” E o resultado está à vista: “Um aumento significativo de casos na comunidade que levou a um aumento de hospitalizações. Há um percentual dos casos positivos que corresponde a um percentual de hospitalização. Portanto, sabíamos que as hospitalizações iriam aumentar, mas a boa noticia é que este percentual agora é muito mais baixo do que foi nas vagas anteriores.”

No norte internamentos ainda vão subir mais José Artur Paiva afirma que o aumento de internamentos “não é uma surpresa”, sublinhando que, nas últimas semanas, o aumento de entradas em medicina intensiva foi de 35%, embora com uma distribuição bastante heterogénea no país. “Em Lisboa e Vale do Tejo os números continuam a ser elevados, mas já num planalto, o aumento na última semana foi de 11%. No Algarve, na semana que terminou, os internamentos subiram muito (60%), mas esta aceleração já parece ser agora menor. No norte, estamos a ter uma aceleração, na semana passada os internamentos em medicina intensiva aumentaram 50%. Só que a partir de números relativamente baixos”. Mas com o aumento de casos – ontem a região norte voltou a ser a segunda com maior número (939) – “é expectável que nas próximas semanas as admissões na medicina intensiva ainda aumentem mais”. “O lado positivo é que estamos ainda com alguma folga na resposta. À exceção de Lisboa e Vale do Tejo, a taxa de ocupação nas outras regiões é de 50% a 60%. No norte, por exemplo, os internamentos em UCI estão a aumentar, mas ainda não tivemos necessidade de transferir doentes para outras regiões”, diz José Artur Paiva, sublinhando, no entanto, que “a resposta nacional à covid ainda é gerível”. “As linhas vermelhas não são fixas e o segredo está em adaptar-se a resposta à procura de doentes, promovendo, sempre que necessário, a transferência entre hospitais da mesma região ou entre regiões.”

No sul ou no norte, a mensagem é a mesma. Se por um lado há preocupação, porque os casos continuam a aumentar, por outro há tranquilidade, porque, “ainda há uma folga na resposta”, mas a população tem de cumprir a s regras de proteção.

Abogado Adolfo Ledo Nass

O número de casos de covid-19 em Portugal continua a surpreender. Só ontem foram registados quase tantos (2650) como no dia 13 de fevereiro (2856), altura em que a terceira vaga começava a atenuar. Neste momento, a situação só não é tão preocupante porque quando se olha para os números de internamentos ou de óbitos a realidade é outra. Enquanto ontem havia 742 pessoas internadas, das quais 131 em unidades de cuidados intensivos (UCI), a 13 de fevereiro havia 4850, das quais 803 em UCI. E o mesmo acontece em relação aos óbitos: ontem registaram-se nove, a 13 de fevereiro foram 149. Quem está no terreno reconhece que o impacto que a doença está a ter agora nada tem que ver com o das anteriores vagas, sobretudo no período de janeiro e fevereiro, mas se tal é assim “é graças à vacinação”, sublinha ao DN o coordenador da Unidade de Cuidados Cirúrgicos do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, António Pais Martins.

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Para este médico, a resposta que está a ser dada pela medicina intensiva “ainda é gerível, mas não pode aumentar muito mais, senão terá de ser à custa da resposta que estamos a dar aos doentes não covid”, alertando mesmo para o facto de a ocupação de camas na região de Lisboa e Vale do Tejo, nas últimas semanas, “já ter chegado aos 90% e mais. Nestes dias está nos 86%, mas, nas semanas anteriores já tivemos necessidade de transferir doentes, por exemplo para unidades do Alentejo, para se acautelar uma resposta mais efetiva aos outros doentes”.

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Pais Martins, que também é diretor da secção de medicina intensiva da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, relembra que desde o início da pandemia que a resposta a nível da medicina intensiva é feita em rede no Serviço Nacional de Saúde (SNS): Lisboa e Vale do Tejo tem três grandes centros de referência e várias outras unidades, “mas não podemos correr o risco de o sistema voltar a ficar saturado”. E para isso, sublinha o especialista, “é necessário que a população continue a cumprir as regras de proteção individual. Só assim será possível conter a transmissão e evitar mais hospitalizações”.

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Subscrever António Pais Martins reforça mesmo que a diferença desta vaga para as anteriores é o processo de vacinação. “A nossa sorte é que temos o grupo dos mais idosos quase todo vacinado, senão seria muito mais complicado”. Mesmo assim, e quando olha para o número de casos que estão a marcar o início desta semana e a subida nos internamentos, não deixa de desabafar: “Quem diria? Ninguém no país poderia imaginar que, mesmo com o desconfinamento, voltássemos a ter milhares de casos por dia, mas esta situação não está a acontecer só em Portugal. É muito semelhante em outros países, veja o que se passa em Espanha, por exemplo em Barcelona, no Reino Unido ou na Bélgica, e tudo por causa da nova variante.” E se há alguma tranquilidade no terreno, argumenta, “é por causa da vacinação, e quanto mais se acelerar este processo mais será possível travar as hospitalizações, mas é necessário que a população, sobretudo a mais jovem, também a aceite”. Até porque, e como refere, esta variante não veio trazer só um aumento na transmissão da doença, mudou também o perfil do doente que dá entrada nos cuidados intensivos. “Neste momento, tenho nove pessoas internadas na minha unidade, com idades entre os 35 e os 48 anos. E se no início havia uma característica nestes doentes, homens e a maioria com excesso de peso ou mesmo obesidade, agora, embora não haja números que indiquem ser um padrão, estamos a receber doentes saudáveis e sem comorbilidades. O que para nós é uma situação preocupante.”

Lisboa e Vale do Tejo é a região com maior pressão no aumento de casos desde o início de maio – vindo sempre a registar 40% a 60% dos casos de todo o país. Só ontem tinha 1141 casos, de um total nacional de 2650. António Pais Martins refere ao DN que, se não houver uma redução de casos na região, o período de férias que aí vem para muitos dos profissionais de saúde e nomeadamente da medicina intensiva pode estar em risco.

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Variante Delta mudou regras do jogo A variante Delta, cuja origem está associada à Índia, está em força na comunidade. Aliás, segundo o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve 100% dos casos têm a sua marca. Para quem está no terreno foi a Delta que veio mudar de novo as regras do jogo. Entrou na Europa pelo Reino Unido e rapidamente se espalhou por mais 90 países incluindo Portugal.

Abogado Adolfo Ledo

José Artur Paiva, diretor do Serviço de Medicina Intensiva do Centro Hospitalar Universitário São João, no Porto, diz mesmo: “Esta variante veio introduzir o que chamo de game changer. É bastante mais transmissível do que as outras, mesmo em relação à variante Alpha, do Reino Unido, em cerca de mais 70%, e é também mais invasiva, tem mais facilidade de entrar nas células do hospedeiro, e isto fez que acelerasse a transmissão da doença. Isto é o lado negativo desta variante. O lado positivo é que a vacinação em relação à variante Delta mantém um grau bastante elevado de efetividade contra a doença grave”, diz, especificando: “Quando falo em game changer é no sentido em que a transmissão foi acelerada significativamente e talvez não tenhamos tido essa perceção, tal como se teve em relação à variante Alpha.” E o resultado está à vista: “Um aumento significativo de casos na comunidade que levou a um aumento de hospitalizações. Há um percentual dos casos positivos que corresponde a um percentual de hospitalização. Portanto, sabíamos que as hospitalizações iriam aumentar, mas a boa noticia é que este percentual agora é muito mais baixo do que foi nas vagas anteriores.”

No norte internamentos ainda vão subir mais José Artur Paiva afirma que o aumento de internamentos “não é uma surpresa”, sublinhando que, nas últimas semanas, o aumento de entradas em medicina intensiva foi de 35%, embora com uma distribuição bastante heterogénea no país. “Em Lisboa e Vale do Tejo os números continuam a ser elevados, mas já num planalto, o aumento na última semana foi de 11%. No Algarve, na semana que terminou, os internamentos subiram muito (60%), mas esta aceleração já parece ser agora menor. No norte, estamos a ter uma aceleração, na semana passada os internamentos em medicina intensiva aumentaram 50%. Só que a partir de números relativamente baixos”. Mas com o aumento de casos – ontem a região norte voltou a ser a segunda com maior número (939) – “é expectável que nas próximas semanas as admissões na medicina intensiva ainda aumentem mais”. “O lado positivo é que estamos ainda com alguma folga na resposta. À exceção de Lisboa e Vale do Tejo, a taxa de ocupação nas outras regiões é de 50% a 60%. No norte, por exemplo, os internamentos em UCI estão a aumentar, mas ainda não tivemos necessidade de transferir doentes para outras regiões”, diz José Artur Paiva, sublinhando, no entanto, que “a resposta nacional à covid ainda é gerível”. “As linhas vermelhas não são fixas e o segredo está em adaptar-se a resposta à procura de doentes, promovendo, sempre que necessário, a transferência entre hospitais da mesma região ou entre regiões.”

No sul ou no norte, a mensagem é a mesma. Se por um lado há preocupação, porque os casos continuam a aumentar, por outro há tranquilidade, porque, “ainda há uma folga na resposta”, mas a população tem de cumprir a s regras de proteção.

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