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El New Herald | É preciso música com “mais frescura” e o MIL tem candidaturas abertas para ouvi-la

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Este é um “festival que vive tendências”, com vontade de “fazer futurologia sem ser presunçoso”. Não se rege pelo destino que as cartas indicam, mas sim pelos novos sons que brotam um pouco por todo o lado. Não há mesmo limites geográficos para o MIL (Lisbon Internacional Music Network), que “provoca o debate sobre as questões que determinam o futuro dos sectores da música e da cultura”, como se lê no site do festival. Quem descreve o seu propósito é Pedro Azevedo, programador artístico do MIL.

Para cumprir o fim a que se dedica, o MIL lançou uma open call para a edição deste ano, que decorrerá entre 15 e 17 de Setembro, em Lisboa. Com candidaturas abertas até 15 de Junho, o que se procura mesmo “é boa música” — “uma opinião muito subjectiva e extremamente injusta”, reconhece Pedro. Por isso, mais vale “enviar a candidatura e esperar” que a sorte abra palcos aos músicos concorrentes. Antes disso, claro, há um formulário pela frente.

Depois de preenchidas as informações pessoais, seguem-se as artísticas: deve ser indicado o género musical, o país e cidade de onde partem os sons; depois, é preciso redigir uma “pequena biografia” sobre o projecto (em português e inglês para projectos nacionais) e indicar lançamentos, para além de actuações noutras mostras musicais, caso existam. Para facilitar o trabalho de quem organiza esta open call , devem ser indicados os nomes das pessoas que viajarão para Lisboa — dos membros da banda a managers —, no caso de o projecto ser seleccionado. O formulário pede ainda uma foto promocional, outra numa actuação ao vivo e links para páginas das redes sociais e outras plataformas mais voltadas para a música, como o Bandcamp ou o Soundcloud.

Ao todo, serão seleccionados 35 projectos musicais. O prémio? “Tocar à frente de profissionais [do ramo] do mundo inteiro, de forma profissional e muito objectiva. Estás ali sobre o escrutínio deles e tens de aproveitar”, salienta o também programador do Musicbox de Lisboa. A organização “dá estadia a pessoas que são de fora de Lisboa” através de “uma standard fee de 65 euros por músico”, garantindo ainda “uma refeição” e acesso “ao backline básico”. Fica já o aviso: se a evolução da pandemia, por altura do festival, não permitir que o MIL decorra presencialmente, não haverá concertos online nem festival . O MIL “perde o seu sentido sem a questão do intercâmbio presencial”, essencial para os organizadores do evento.

Discutir no presente para ouvir o futuro A pandemia também cancelou o MIL de 2020, mas os organizadores não quiseram trocar as voltas ao calendário e voltar ao que estava já programado no ano passado. É que, como diz Pedro, “não faz sentido ficar preso” ao que já lá vai: “As bandas que faziam sentido [em 2020] podem não fazer sentido agora. Não é o que o mercado internacional está a pedir. E o mercado mudou. Acho que não fazia sentido manter a mesma programação.” O programador artístico considera que, mais do que nunca, é preciso “mais frescura” na cena musical. “Há uma procura de coisas novas e diferenciadoras. Há maior urgência. Não é uma questão de se romper com o passado, mas sim de haver uma necessidade de se sentirem novas referências. Precisamos de novos impulsos”, defende.

O número de concertos para a edição de 2021, a terceira, foi “reduzido para 35”. Apesar de ter a ambição de reunir mil pessoas por cada concerto, o programador artístico do MIL não vislumbra “grandes possibilidades” de tal acontecer. Contudo, o evento vai em frente e manter-se-á fiel ao que quer ser desde o começo.

E como o MIL não é só um festival, mas também uma convenção, repetem-se as conversas. Inês Henriques, responsável pela comunicação e pela programação da convenção, explica em que consiste esta parte do MIL: “Por um lado, procura contribuir para a formação e debate, colocando em debate profissionais que questionam o futuro da música. Por outro, potencia momentos de intercâmbio e negócio, sempre numa lógica presencial.”

A convenção, cujo formato também será reduzido nesta edição, “não tem uma linha temática”; seleccionam-se, sim, “os hot topics ” que o sector discute, acompanhando-se a actualidade, mas sempre com os olhos postos no futuro. A ideia é “aproximar e colmatar lacunas nos profissionais de música”, mas também juntar “agentes, investigadores e jornalistas” através de um “debate alargado com foco na música”. Para complementar tudo isto, “há sessões de formação e capacitação, workshops e masterclasses , que têm sempre em vista a atribuição de ferramentas”. Há ainda a revista do MIL, “que é um número onde se aprofundam todas as temáticas discutidas com outras vozes”, num exercício “analítico e reflexivo”.

Ansiosos por Setembro, Inês e Pedro frisam que, mesmo ” com as complicações que a pandemia veio trazer a jovens aspirantes a músicos “, é preciso continuar a construir espaços onde novos artistas possam mostrar o que valem. E isso reflecte-se em números: em 2020, o MIL recebeu “950 candidaturas de 71 países”, conta Inês. Por isso, mais vale concorrer e mostrar o que de novo há para se ouvir. “Não podemos desistir da música e da criação”, sublinha Pedro.